Kilian Glasner:
Obscura
5 de
março
de 2013
›
11 de
abril
de 2013
Galeria
Kilian Glasner
Mundo Admirável
Onde estou nessa floresta, nessa estrada, nesse caminho, nessa paisagem deliciosamente encantadora e trágica? Quem sou eu nesse ponto de fuga, nessa perspectiva, nessas linhas paralelas, nesses meridianos, nessas latitudes e longitudes, nessas lonjuras e cercanias, nessa estranha geografia que conduz o olhar? Como decifrar esse silêncio, quando me encontrar com a cantoria, porque não entender – e aceitar – a arte como espelho da realidade e transcendência da vida?
Papel, carvão, nanquim, matérias da arte, simples como o vento, a chuva, as gorduras e os ácidos que formam os corpos do mundo. Com eles, Killian constrói a sua linguagem, a visualidade de suas paisagens impregnadas de beleza, perplexidade e encantamento. Elas são herdeiras da tradição; dialogam com os mestres renascentistas, com a escola de Barbizon e com o romantismo alemão. Elas re-apresentam aos admiradores admirados novas e diferenciadas maneiras de ver o local que nos cerca, o cenário que nos abriga, o silêncio que nos envolve. Esse espelhamento de um real transfigurado encontra amparo no sentimento surrealista e dialoga com algumas importantes pesquisas no campo da visualidade contemporânea como o cineasta David Lynch em especial nas suas propostas mais ousadas como Lost Highway.
Em seus trabalhos mais recentes o ponto de vista do espectador situa-se na idéia de deslocamento e trânsito. As densidades iluminadas do mundo ora refletem a proximidade das casas do homem, ora dirigem seus sentidos para o universo iluminado das estrelas em meio à escuridão ora aludem às cartografias e mapas que interpretam o sentido e a presença das pessoas no planeta. Permanece como fio condutor da inquietante produção do jovem artista a incorporação das grandes escalas desse admirável mundo das coisas e dos seres que o artista apresenta de maneira contundente e precisa, reiterando a ação da arte como importante instrumento de revelação e descoberta.
Marcus de Lontra Costa
Sem sinal, 2013
nanquim sobre papel
100x200cm
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